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	Comentários em: William Morris	</title>
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	<description>Associação Portuguesa de Ficção Científica e Fantástico</description>
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		<title>
		Por: Lu&#237;s P. Santa		</title>
		<link>https://simetria.org/william-morris/comment-page-1/#comment-6</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lu&#237;s P. Santa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Jan 2008 14:52:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Segundo o DICION&#193;RIO DA L&#205;NGUA PORTUGUESA de Francisco Torrinha, licantropia define-se como &#034;estado de aliena&#231;&#227;o, que leva o doente a julgar-se transformado em lobo&#034;. Tal psicopatia &#233; bastante rara, mas existem casos cl&#237;&#173;nicos que comprovam a sua assustadora realidade. Talvez seja destas sementes de verdade que tenha nascido toda a supersti&#231;&#227;o relativa ao tem&#237;vel e cruel Lobisomem. William Morris &#233; um desses casos. At&#233; as suas iniciais &#8212; &#8221; W. M.&#8221; &#8212; parecem prenunciar a maldi&#231;&#227;o que se abatera sobre ele; iniciais essas que remetem &#224; s palavras Inglesas &lt;em&gt;wolf man&lt;/em&gt;. 
 
William fora abandonado pela fam&#237;&#173;lia quando os seus comportamentos animalescos come&#231;aram a despontar, era ainda uma crian&#231;a nos primeiros passos da adolesc&#234;ncia. A princ&#237;&#173;pio, William identificava-se com o c&#227;o da fam&#237;lia (mas de uma maneira pouco divertida). Contudo, depressa aprendeu sobre os lobos e o mito do lobisomem, que entretanto se recontava em sussurros por entre os habitantes da comunidade. Foi uma quest&#227;o de tempo at&#233; o rumor se espalhar de que o infante se poderia transmutar inesperadamente numa qualquer horr&#237;vel e sanguin&#225;ria criatura. Tais conversas ouvidas &#224;s escondidas instilaram estranhos medos no sub-consciente de William e acabaram degradando a sua condi&#231;&#227;o mental. Foi quando certos animais de cria&#231;&#227;o come&#231;aram a desaparecer em circunst&#226;ncias misteriosas que os murm&#250;rios da popula&#231;&#227;o evoluiram para um crescendo de protestos. Com a ignor&#226;ncia e a supersti&#231;&#227;o do seu lado, todos sabiam para onde apontar as culpas. Ent&#227;o, e em segredo, acordaram sobre a melhor coisa a fazer. Seguindo minuciosamente as lendas que conheciam, constru&#237;&#173;ram ao longo de v&#225;&#161;rias semanas uma dispendiosa l&#226;mina de prata com a qual planeavam dilacerar o cora&#231;&#227;o do jovem. A fam&#237;&#173;lia, apercebendo-se do hediondo plano, levou a crian&#231;a para longe e abandonou-a ao seu destino. A solid&#227;o e o desespero fizeram o resto. No conto &#233; dif&#237;cil destrin&#231;ar a fronteira entre o mito e a realidade. William Morris pode tanto ser um &#034;verdadeiro&#034; lobisomem, como um infeliz doente mental que todas as noites se julga transformado em tal criatura. N&#227;o observamos uma metamorfose f&#237;sica atrav&#233;s da qual possamos dizer &#171;William Morris &#233; um monstro&#187;, note-se. Pelo menos tive o cuidado de n&#227;o me entusiasmar pelo fen&#243;meno sobrenatural.  
 
O enredo de WILLIAM MORRIS desenrola-se em 1888 na sempre nevoenta Londres vitoriana, durante a &#233;poca em que o tem&#237;vel (e tamb&#233;m ele quase m&#237;tico) Jack o Estripador lan&#231;ou a sua cortina de terror sobre a cidade. William Morris n&#227;o &#233; Jack, apesar de dar a entender a certa altura que o planeio explicar assim. Apenas resolvi largar a personagem principal naquela &#233;poca para limitar as suas ac&#231;&#245;es enquanto &#034;humano&#034;, j&#225; que todos os pol&#237;&#173;cias da cidade andavam de orelha arrebitada por causa do assassino. Foi ainda uma boa forma de manter as ruas quase desertas durante a noite, quando a faceta lupina de William sa&#237;a para ca&#231;ar. E ap&#243;s algumas perip&#233;rcias, a maldi&#231;&#227;o de William Morris termina com a sua pr&#243;pria morte. &#201; de certo modo uma refer&#234;ncia &#224; trilogia (?) DOPPELG&#196;NGER, em que uma personalidade dual &#8212; que neste caso &#233; a do par homem-lobo &#8212; conduz quase inevitavelmente &#224; auto-destrui&#231;&#227;o da personagem. Por&#233;m, encontramos desta vez a consci&#234;ncia do Homem versus a irracionalidade do Animal. Mas qual delas carrega a inten&#231;&#227;o do suic&#237;dio? Uma? A outra? A manipula&#231;&#227;o do Homem tra&#237;&#173;ndo os instintos do Animal, talvez? Uma vontade partilhada pelas duas partes? E seria mesmo uma vontade, ou uma consequ&#234;ncia dessa perigosa fus&#227;o? ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segundo o DICION&Aacute;RIO DA L&Iacute;NGUA PORTUGUESA de Francisco Torrinha, licantropia define-se como &quot;estado de aliena&ccedil;&atilde;o, que leva o doente a julgar-se transformado em lobo&quot;. Tal psicopatia &eacute; bastante rara, mas existem casos cl&iacute;&shy;nicos que comprovam a sua assustadora realidade. Talvez seja destas sementes de verdade que tenha nascido toda a supersti&ccedil;&atilde;o relativa ao tem&iacute;vel e cruel Lobisomem. William Morris &eacute; um desses casos. At&eacute; as suas iniciais &mdash; &rdquo; W. M.&rdquo; &mdash; parecem prenunciar a maldi&ccedil;&atilde;o que se abatera sobre ele; iniciais essas que remetem &agrave; s palavras Inglesas <em>wolf man</em>.</p>
<p>William fora abandonado pela fam&iacute;&shy;lia quando os seus comportamentos animalescos come&ccedil;aram a despontar, era ainda uma crian&ccedil;a nos primeiros passos da adolesc&ecirc;ncia. A princ&iacute;&shy;pio, William identificava-se com o c&atilde;o da fam&iacute;lia (mas de uma maneira pouco divertida). Contudo, depressa aprendeu sobre os lobos e o mito do lobisomem, que entretanto se recontava em sussurros por entre os habitantes da comunidade. Foi uma quest&atilde;o de tempo at&eacute; o rumor se espalhar de que o infante se poderia transmutar inesperadamente numa qualquer horr&iacute;vel e sanguin&aacute;ria criatura. Tais conversas ouvidas &agrave;s escondidas instilaram estranhos medos no sub-consciente de William e acabaram degradando a sua condi&ccedil;&atilde;o mental. Foi quando certos animais de cria&ccedil;&atilde;o come&ccedil;aram a desaparecer em circunst&acirc;ncias misteriosas que os murm&uacute;rios da popula&ccedil;&atilde;o evoluiram para um crescendo de protestos. Com a ignor&acirc;ncia e a supersti&ccedil;&atilde;o do seu lado, todos sabiam para onde apontar as culpas. Ent&atilde;o, e em segredo, acordaram sobre a melhor coisa a fazer. Seguindo minuciosamente as lendas que conheciam, constru&iacute;&shy;ram ao longo de v&aacute;&iexcl;rias semanas uma dispendiosa l&acirc;mina de prata com a qual planeavam dilacerar o cora&ccedil;&atilde;o do jovem. A fam&iacute;&shy;lia, apercebendo-se do hediondo plano, levou a crian&ccedil;a para longe e abandonou-a ao seu destino. A solid&atilde;o e o desespero fizeram o resto. No conto &eacute; dif&iacute;cil destrin&ccedil;ar a fronteira entre o mito e a realidade. William Morris pode tanto ser um &quot;verdadeiro&quot; lobisomem, como um infeliz doente mental que todas as noites se julga transformado em tal criatura. N&atilde;o observamos uma metamorfose f&iacute;sica atrav&eacute;s da qual possamos dizer &laquo;William Morris &eacute; um monstro&raquo;, note-se. Pelo menos tive o cuidado de n&atilde;o me entusiasmar pelo fen&oacute;meno sobrenatural. </p>
<p>O enredo de WILLIAM MORRIS desenrola-se em 1888 na sempre nevoenta Londres vitoriana, durante a &eacute;poca em que o tem&iacute;vel (e tamb&eacute;m ele quase m&iacute;tico) Jack o Estripador lan&ccedil;ou a sua cortina de terror sobre a cidade. William Morris n&atilde;o &eacute; Jack, apesar de dar a entender a certa altura que o planeio explicar assim. Apenas resolvi largar a personagem principal naquela &eacute;poca para limitar as suas ac&ccedil;&otilde;es enquanto &quot;humano&quot;, j&aacute; que todos os pol&iacute;&shy;cias da cidade andavam de orelha arrebitada por causa do assassino. Foi ainda uma boa forma de manter as ruas quase desertas durante a noite, quando a faceta lupina de William sa&iacute;a para ca&ccedil;ar. E ap&oacute;s algumas perip&eacute;rcias, a maldi&ccedil;&atilde;o de William Morris termina com a sua pr&oacute;pria morte. &Eacute; de certo modo uma refer&ecirc;ncia &agrave; trilogia (?) DOPPELG&Auml;NGER, em que uma personalidade dual &mdash; que neste caso &eacute; a do par homem-lobo &mdash; conduz quase inevitavelmente &agrave; auto-destrui&ccedil;&atilde;o da personagem. Por&eacute;m, encontramos desta vez a consci&ecirc;ncia do Homem versus a irracionalidade do Animal. Mas qual delas carrega a inten&ccedil;&atilde;o do suic&iacute;dio? Uma? A outra? A manipula&ccedil;&atilde;o do Homem tra&iacute;&shy;ndo os instintos do Animal, talvez? Uma vontade partilhada pelas duas partes? E seria mesmo uma vontade, ou uma consequ&ecirc;ncia dessa perigosa fus&atilde;o? </p>
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