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	<title>conto &#8211; Simetria FC&amp;F</title>
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		<title>E como n�o h� uma sem duas,</title>
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					<description><![CDATA[E como n�o h� uma sem duas, embora tr�s fosse a conta certa, outra interrup��o se imp�e para novo an�ncio: que �Ionesco � Solta�, um conto velhinho que recebeu makeover e nova vida, se encontra na segunda edi��o da Pacto, uma revista que est� a dar que...]]></description>
		
		
		
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		<title>A cronologia não ajuda a defender</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 20:03:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A cronologia não ajuda a defender a teoria fácil de que a evolução de um escritor segue os contornos e ritmos da sua vida, e que as ficções dadas à luz a cada ano serão portas de entrada, ou portinholas de acesso, para as suas cismas circunstanciais. S...]]></description>
		
		
		
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		<title>No Rescaldo das Preocupações</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2020 20:32:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No Rescaldo das Preocupações virais da primeira década do século, uma antevisão sobre a dicotomia liberdade/responsabilidade social:a  tendência  tem  vindo  a  propagar-se  pelas  culturas  orientais,  onde  a  dimensão  e densidade  populacional  exp...]]></description>
		
		
		
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		<title>Leituras de 2014 (4).</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Jan 2014 22:40:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<b>Leituras de 2014 (4).</b> &#171;Young Zaphod Plays it Safe&#187; (conto) de&#160;Douglas Adams. Em <em>The Time Traveller's Almanac</em>. Lido em ingl&#234;s.<p>Eis um regresso muito apetecido ao universo de <em>&#192; Boleia pela Gal&#225;xia </em>(privilegiando a tradu&#231;&#227;o de Ant&#243;nio Vila&#231;a na recente edi&#231;&#227;o da Sa&#237;da de Emerg&#234;ncia), em que nos deparamos com uma incurs&#227;o do Presidente gal&#225;ctico Zaphod Beeblebrox enquanto ainda era um mero e reles colector de salvados de naves espaciais encalhadas. Acontece que a nave deste conto encalhou no fundo do oceano de um planeta famoso pelas suas lagostas, t&#227;o famoso que o piloto, descendente de antepassados provenientes daquela zona, n&#227;o descansou enquanto n&#227;o convenceu os camaradas a pousar e provar aqueles belos esp&#233;cimes de quem tanto se falava &#8211; e falava e falava &#8211; na fam&#237;lia... sem pensar na import&#226;ncia da sua miss&#227;o, que&#160;consistia em&#160;despachar a nave contra um buraco negro pelo perigo e secretismo das armas a bordo... seriam umas senhoras lagostas, de facto! </p><p>Zaphod &#233; contratado por burocratas que conhecem o verdadeiro conte&#250;do da nave (oficialmente transportaria &#171;res&#237;duos inofensivos&#187;), os quais insistem em como foram seguidos todos os protocolos e normas de seguran&#231;a, embora as evid&#234;ncias da nave encalhada &#8211; o casco destru&#237;do, o conv&#233;s despeda&#231;ado &#8211; apontem para o contr&#225;rio.</p><p>Aqui se percebe como o humor de Adams &#233; de uma maestria subtil e destemida, sustentada no uso cuidado da linguagem e na delicadeza como apresenta a ideia, fazendo-nos envolver aos poucos, sem pressas, como se abrisse aos poucos um diafragma ocular sobre uma realidade complexa e desconcertante. &#192; moda dos verdadeiros humoristas da palavra, evita a <em>punch line</em> e esfor&#231;a-se por explicar o absurdo no contexto narrativo. Ali&#225;s, &#233; precisamente por nunca pedir desculpas e insistir no elemento apresentado que consegue obter situa&#231;&#245;es hilariantes, disfar&#231;adas de enredo. Algo que traz bons resultados em meios verbais, como a r&#225;dio, mas que se transforma em desastre no cinema e na televis&#227;o &#8211; conforme j&#225; se pode comprovar.</p><p>Apetece fazer excertos do conto inteiro. Fica, contudo, aqui um dos mais cativantes, sobre a inven&#231;&#227;o das &#171;varetas do aoristo&#187; e de como toda a tecnologia tem efeitos secund&#225;rios (<em>hint, hint, nudge, nudge</em>) perfeitamente plaus&#237;veis e humanos:</p><blockquote> <p>Aorist rods were devices used in a now happily abandoned form of energy  production. When the hunt for new sources of energy had at one point got  particularly frantic, one bright young chap suddenly spotted that one place  which had never used up all its available energy was &#8211; the past. And with the  sudden rush of blood to the head that such insights tend to induce, he  invented a way of mining it that very same night, and within a year huge  tracts of the past were being drained of all their energy and simply wasting  away. [...] The past provided a very cheap, plentiful, and clean source of  energy, there could always be a few Natural Past Reserves set up if anyone  wanted to pay for their upkeep [...] It was only when it was realised that the  present really was being impoverished, and that the reason for it was that  those selfish plundering wastrel bastards up in the future were doing exactly  the same thing, that everyone realised that every single aorist rod, and the  terrible secret of how they were made, would have to be utterly and forever  destroyed.</p></blockquote><p>&#160;</p><div>
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		<title>Leituras de 2014 (3).</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jan 2014 21:57:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<b>Leituras de 2014 (3).</b> &#171;Eu Canto o Corpo El&#233;ctrico!&#187; (conto, <a href="http://bibliowiki.com.pt/index.php/Eu_Canto_o_Corpo_El%C3%A9ctrico!">bib.</a>, tradu&#231;&#227;o de Eurico da Fonseca de &#171;I Sing the Body Electric!&#187;), de Ray&#160;Bradbury. Em: <em>A &#218;ltima Cidade de Marte</em>. Lido em ingl&#234;s e portugu&#234;s.<p>Um pai procura colmatar a morte prematura da esposa para os filhos pela oferta de um brinquedo novo: uma av&#243; el&#233;ctrica! Conduzidos &#224; cidade, entrando na loja de um italiano fabricante de marionetas (porque s&#243; se consideram como leg&#237;timos os fabricantes de marionetas que sejam italianos?), os mi&#250;dos t&#234;m de responder a perguntas e deixar provas das suas lembran&#231;as, numa sugest&#227;o de produto personalizado. E eis que passado o tempo suficiente (tudo funciona com ritmo e espa&#231;amento perfeitamente ajustados &#224;s necessidades das crian&#231;as, neste mundo que s&#243; pode ser de fantasia), chega de helic&#243;ptero &#224; casa rural a nova prenda, dentro de um pseudo-sarc&#243;fago, que se acciona por interm&#233;dio de uma chave, dada &#224; mais pequenita pelo empregado da loja. A av&#243; el&#233;ctrica &#233; tudo e mais do que se espera, um andr&#243;ide perfeitamente funcional que ajusta as fei&#231;&#245;es e reac&#231;&#245;es a cada crian&#231;a e nunca se intromete nas suas convic&#231;&#245;es nem contraria os seus desejos, procurando atra&#237;-las e conduzi-las atrav&#233;s do constante esfor&#231;o de seduzir e agradar (&#233; de ponderar se tal personagem assim subtra&#237;da &#224;s vontades infantis n&#227;o acabaria por criar um bando de fedelhos mimados?). A av&#243; el&#233;ctrica tem as respostas para tudo, e muito articuladas e filos&#243;ficas que s&#227;o, um perfeito exemplo de intelig&#234;ncia artificial em movimento &#8211; como teria um fabricante de brinquedos atingido tal compet&#234;ncia cibern&#233;tica e porque motivos continuaria a fabricar brinquedos, ao inv&#233;s de se tornar o primeiro multimilion&#225;rio da ind&#250;stria rob&#243;tica, &#233; algo que n&#227;o chega sequer a ser questionado; talvez se explique no facto de ser italiano?...</p><p>Bem, e a av&#243; el&#233;ctrica fala pelos cotovelos, dando li&#231;&#245;es filos&#243;ficas sobre a natureza das m&#225;quinas e da tecnologia. O que n&#227;o deixa de ser interessante. At&#233; ao ponto de, quando as crian&#231;as ficam suficientemente crescidas, ela anunciar que vai retornar &#224; loja (ent&#227;o n&#227;o tinha sido comprada? Veio em regime de aluguer? Isso n&#227;o nos tinha sido dito) e submeter-se &#224;s vontades do fabricante: ir para uma nova casa, ser desmontada para se aproveitarem as pe&#231;as, etc. O que perturba os putos, naturalmente. Eis que, num elegante volte-face de salva&#231;&#227;o, a av&#243; anuncia que, por uma m&#243;dica presta&#231;&#227;o mensal, ser&#225; remetida a um lar onde passar&#225; os anos a conversar com as outras av&#243;s el&#233;ctricas at&#233; ao momento em que os mi&#250;dos, j&#225; crescidos, precisem dela para os pr&#243;prios filhos, ou, quando velhotes e regressados a uma d&#233;bil infantilidade, requeiram os seus servi&#231;os de assistente, presumivelmente para mudar arrastadeiras ou esfregar no banho as peles ca&#237;das...</p><p>Sim, &#233; complicado aceitar um mundo em que tal proposta n&#227;o fosse respondida com uma gargalhada jocosa, passados os cinco segundos de reflex&#227;o financeira. Mas no sonhador mundo de Bradbury ningu&#233;m sabe fazer contas...</p><p>N&#227;o &#233; que se trate de um conto lamechas. O autor tem a devida compet&#234;ncia como prosador para salvar cada cena individualmente de se tornar rid&#237;cula. Infelizmente, o n&#237;vel de ingenuidade que despeja sobre o cen&#225;rio e as personagens acaba por transbordar para al&#233;m da reduzida margem concedida por um qualquer leitor que perten&#231;a ao mundo real e entenda como funcionam as pessoas &#8211; sejam crian&#231;as ou adultos &#8211; e o progresso &#8211; que n&#227;o inventa a intelig&#234;ncia artificial para o bem-estar das fam&#237;lias sem antes a aplicar, de forma ub&#237;qua e exaustiva, nos principais processos industriais e militares. </p><p>Pode haver um n&#237;vel de encantamento no mundo de Bradbury mas &#233; maior o n&#237;vel de perigo &#8211; pois tamanha ingenuidade &#233; capaz de cegar multid&#245;es, dando lugar e poder &#224;quele com o proverbial olho aberto... D&#234;em-me a escolher e entrarei no mundo atento e desconfiado dez vezes em cada dez. </p><p>(Quanto &#224; tradu&#231;&#227;o, opinarei em foro pr&#243;prio, deixando apenas uma nota de que seria, a meu ver,&#160;mais apropriado indicar &#171;Louvo o corpo el&#233;ctrico!&#187;&#160;como vers&#227;o portuguesa do t&#237;tulo, uma vez que se trata, afinal, de uma cita&#231;&#227;o de Whitman;&#160;a edi&#231;&#227;o posterior da Europa-Am&#233;rica conseguiu ser ainda apresentar-se mais afastada do sentido e da po&#233;tica do verso...)<br></p><div>
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		<title>Leituras de 2014 (2).</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jan 2014 21:55:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<b>Leituras de 2014 (2).</b> &#171;Only Partly Here&#187; (conto) de Lucius Shepard, em <em>Eternity and other stories</em>. Lido em ingl&#234;s.<p>A hist&#243;ria de Bobby e Alicia &#8211; ou melhor, a hist&#243;ria de Bobby a par da hist&#243;ria de Alicia, as quais se tocam, brevemente, num bar de Manhattan, numa data posterior ao 11 de Setembro, e acabam por formar uma esp&#233;cie de amor jamais concretiz&#225;vel, uma forma de conforto m&#250;tuo, mas parcial, isolado, solit&#225;rio. Porque, afirma Shepard, &#171;at most times people are only partly there for one another&#187; e assim&#160;parece legitimar o t&#237;tulo ou por ele ser absolvido.</p><p>Alicia aparenta ser uma directora de empresa com problemas por resolver; todas as noites vai sentar-se no mesmo lugar no bar e todas as noites afasta os v&#225;rios pretendentes que arriscam meter conversa. At&#233; chegar Bobby. Jovem, mais jovem que Alicia, Bobby trabalha numa equipa de limpeza que, dia ap&#243;s dia, vai limpando os destro&#231;os do que restou das Torres G&#233;meas. Um trabalho que corroi a alma. </p><blockquote>  <p>There are legends in the pit. Phantoms and apparitions. [&#8230;] The place feels   so empty. Like even the ghosts are gone. All that sudden vacancy, who knows   what might have entered in?</p></blockquote><p>&#201; o come&#231;o do conto, mas, apesar da promessa impl&#237;cita, n&#227;o vai enveredar pela descri&#231;&#227;o horr&#237;fica do evento, nem estabelece contacto expl&#237;cito com as legi&#245;es de mortos tombados naquele dia, como seria de esperar de um autor com uma s&#243;lida reputa&#231;&#227;o na FC e no realismo m&#225;gico, e de uma revista de g&#233;nero como a <em>Asimov&#8217;s</em>, onde foi publicado pela primeira vez. O sobrenatural surge &#8211; ou aparenta surgir, se a nossa leitura n&#227;o demasiado literal &#8211;, perto do fim, mas &#233; um sobrenatural discreto, amb&#237;guo, liter&#225;rio.</p><blockquote>  <p>No Stephen King commercial, no sight of her hovering a few inches off the   ground, bearing the horrid wounds that killed her.</p></blockquote><p>Esta frase revela tudo sobre o final, e tamb&#233;m quase nada, pois Shepard n&#227;o nos conduz a um desfecho narrativo. Antes, chega-se a uma conclus&#227;o ligeira, quase ingl&#243;ria ao potencial do tema: a de que viver sem intensidade, viver a presta&#231;&#245;es, &#233; pior do que a morte &#8211; e mostrar o que significa estar-se vivo &#233; a melhor prenda que se pode dar a um fantasma indeciso entre mundos.</p><p>Shepard est&#225; muito aqu&#233;m, neste texto &#8211; nem sequer do seu melhor, mas at&#233; da qualidade b&#225;sica dos seus contos medianos do passado. Ser&#225; a dor de tal evoca&#231;&#227;o t&#227;o forte que apenas se consegue manifestar como torpor? Sem d&#250;vida que se trata de um tema complicado, para um autor americano da presente gera&#231;&#227;o conseguir gerir em termos do distanciamento indispens&#225;vel entre narrador e&#160;narrativa &#8211; op&#231;&#245;es e dificuldades que, n&#227;o &#233; de espantar,&#160;um cr&#237;tico americano <a href="http://mumpsimus.blogspot.pt/2004/01/only-partly-here-by-lucius-shepard.html">compreende e admira</a>. Mas conhecendo a versatilidade pros&#237;stica de Shepard,&#160;fica a sensa&#231;&#227;o de que&#160;outras altitudes poderiam ser alcan&#231;adas.&#160;</p><p>Teria ganho&#160;o texto em ficar na gaveta os anos suficientes para deixar a viv&#234;ncia tornar-se mem&#243;ria? &#201; injusto sermos c&#237;nicos perante uma abordagem t&#227;o humana, mas fica a d&#250;vida, se um evento distanciado no tempo e na cultura (exemplos ao acaso, de tantos que h&#225;, infelizmente, na Hist&#243;ria: o massacre de <a href="http://www.academia.edu/210133/The_Cholula_Massacre_Factional_Histories_and_Archaeology_of_the_Spanish_Conquest">Cholula</a>, ou o do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Black_July">Julho Negro</a>) teria uma abordagem liter&#225;ria t&#227;o mansamente repleta de filosofia e aceita&#231;&#227;o, num texto de g&#233;nero, ou, se, pelo contr&#225;rio, ser&#237;amos presenteados em grande plano com os pormenores horrendos da crueldade humana? D&#250;vida que talvez se deva mais &#224;s assump&#231;&#245;es&#160;ocultas no centrismo cultural vigente do g&#233;nero do que &#224; falta de capacidade liter&#225;ria&#160;dos seus autores, a bem ver...<br></p><div>
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		<title>A Mosca Na Teia.</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Oct 2013 22:23:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<b>A Mosca Na Teia.</b> <blockquote> <p>&#171;Falar de defesa induzida &#233; falar de uma educa&#231;&#227;o extrema e desesperada do  predador pela presa. Extrema no sentido de representar uma resposta t&#227;o  espec&#237;fica a determinado comportamento de preda&#231;&#227;o, e nessa especificidade  comprometer recursos e capacidades defensivas da presa que o processo  evolutivo normal orientaria para respostas mais gen&#233;ricas a amea&#231;as mais  abrangentes. Desesperada por que a selec&#231;&#227;o natural tem a sua l&#243;gica  intr&#237;nseca, e nem sempre o equil&#237;brio din&#226;mico entre oferta e procura, no qual  a escassez de alimento faria reduzir o n&#250;mero de predadores e assim permitir a  sobreviv&#234;ncia da presa, &#233; o principal mecanismo em ac&#231;&#227;o. Perante o contacto  com o predador agressivo e uma reac&#231;&#227;o defensiva favor&#225;vel, o processo  evolutivo favorece os elementos capazes de reagir com a antecipa&#231;&#227;o necess&#225;ria  e sem prejudicar a sua integridade estrutural nem a possibilidade de  reprodu&#231;&#227;o, cumprindo os requisitos base de especificidade, amplifica&#231;&#227;o e  mem&#243;ria indispens&#225;veis para a categoria de defesa induzida.</p> <p>&#201; importante real&#231;ar que a ferocidade da defesa resulta, tamb&#233;m ela, na sua  pr&#243;pria inefici&#234;ncia, uma vez que for&#231;a a selec&#231;&#227;o natural dos predadores que  lhe sejam mais resistentes ou indiferentes. Ser-se demasiado espec&#237;fico  torna-se assim num risco acrescido, pois este comportamento ter&#225; sido  adquirito &#224; custa da versatilidade reprodutiva ou do factor de crescimento.  Ainda que a rela&#231;&#227;o entre todos estes factores n&#227;o seja clara, a defesa  induzida &#233; uma marca hist&#243;rica, uma prova de uma rela&#231;&#227;o agressiva com uma  esp&#233;cie dominante que poder&#225; j&#225; nem existir no momento do estudo.</p> <p>Enquanto humanos, somos pe&#231;as integrantes da nossa ecologia. Transportamos  nos genes as estrat&#233;gias de sobreviv&#234;ncia que nos foram mais adequadas no  passado para ultrapassar as amea&#231;as de outros animais, plantas t&#243;xicas e  doen&#231;as. O nosso sistema imunit&#225;rio foi-se fortalecendo &#224; medida que nos  expusemos a epidemias, lentas ou vorazes, combatendo com a &#250;nica arma que,  durante muitos mil&#233;nios, esteve dispon&#237;vel, ou seja, o antigo mecanismo de  sobreviv&#234;ncia e reprodu&#231;&#227;o. O combate artificial, por meio da investiga&#231;&#227;o  cient&#237;fica, da experimenta&#231;&#227;o e da formula&#231;&#227;o de subst&#226;ncias qu&#237;micas que  atacassem v&#237;rus e bact&#233;rias utilizando os seus pr&#243;prios mecanismos, &#233;, em  termos evolutivos, uma reac&#231;&#227;o bastante recente, e para a qual os pr&#243;prios  virus e bact&#233;rias ainda n&#227;o conseguiram contrapor com uma arma eficiente. Dito  por outras palavras, a nossa intelig&#234;ncia &#233;, para os efeitos de classifica&#231;&#227;o  de uma resposta espec&#237;fica a um mecanismo de preda&#231;&#227;o, uma defesa induzida,  que tem a vantagem relativa de conseguir adaptar-se com maior rapidez a  altera&#231;&#245;es do predador, ao n&#227;o estar directamente dependente de uma base  gen&#233;tica mas de um comportamento transmitido pelo conhecimento. Tendo surgido  na nossa esp&#233;cie, depressa se ter&#225; revelado numa vantagem demasiado  competitiva, pois, n&#227;o obstante as varia&#231;&#245;es individuais, o c&#233;rebro humano  mant&#233;m uma constitui&#231;&#227;o uniforme e um comportamento id&#234;ntico,  independentemente da ra&#231;a e localiza&#231;&#227;o geogr&#225;fica. E se tivemos &#8211; e  continuamos a ter &#8211; amea&#231;as &#224; sobreviv&#234;ncia decorrentes de uma ac&#231;&#227;o  intencional e racional, estas s&#227;o exclusivamente consequ&#234;ncias da nossa  pr&#243;pria actividade, da aplica&#231;&#227;o da nossa intelig&#234;ncia.</p> <p>At&#233; &#224; chegada dos extra-terrestres, obviamente. Eis que, de um momento para  o outro, nos vimos defrontados com a manifesta&#231;&#227;o de uma intelig&#234;ncia externa  &#224; nossa, detentora dos seus pr&#243;prios processos de funcionamento, estranha,  impenetr&#225;vel. O historial breve do nosso contacto com estas diferentes  esp&#233;cies revelou diferentes modos de comunica&#231;&#227;o, ocupando v&#233;rtices t&#227;o extremos  a n&#237;vel da sua intensidade &#8211; desde o secretismo dos Spleen &#224;  permeabilidade aparentemente total dos Cabe&#231;as-de-Ab&#243;bora &#8211; que se torna  dif&#237;cil, ou mesmo imposs&#237;vel, distinguir o que s&#227;o comportamentos intr&#237;nsecos  a cada uma destas esp&#233;cies do que poder&#225; ser uma estrat&#233;gia concertada de  abordagem &#224; Humanidade. Se durante mil&#233;nios, integrados na ecologia terrestre,  aprendemos a sobreviver e a ascender na escada das defesas induzidas, at&#233;  obtermos a mais flex&#237;vel de todas, corremos actualmente um enorme risco,  enquanto esp&#233;cie, pois n&#227;o temos qualquer defesa perante outras intelig&#234;ncias,  nunca nos vimos expostos nem necessitados de adoptar mecanismos reactivos. E  dada a rapidez com que os extra-terrestres se integraram no nosso meio, ou o  utilizaram para os seus prop&#243;sitos obscuros, receio que estejamos perante a  maior amea&#231;a de sempre&#160;&#224; nossa exist&#234;ncia &#160;&#8211; o desequil&#237;brio entre o  que sabem de n&#243;s e o que sabemos deles n&#227;o aparenta reduzir-se, e como no  proverbial conto de terror, o p&#234;ndulo balan&#231;a inexoravelmente para um  confronto final.&#187; </p></blockquote><p align="right">Joe Abraxas, <em>N&#227;o Lhes Faremos a Vontade: Os Efeitos da Presen&#231;a Extraterrestre nas Culturas Humanas</em>, 15&#170; edi&#231;&#227;o.</p><p>Isto, a prop&#243;sito daquelas <a href="http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/01/T/B1055070632/1378418490">manobras orbitais de que vos falava h&#225; alguns tempos</a>...</p><p>&#160;</p><div>
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					<description><![CDATA[Todos Os Regimes Dictatoriais são infantis na sua crueldade e arrogância, e ninguém melhor que a ficção para correctamente os descrever. Pode assumir laivos de textos confessionais, como o mordaz Livro do Riso e do Esquecimento, do Kundera, ou de ...]]></description>
		
		
		
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					<description><![CDATA[Lançada no Brasil em início de 2011, a antologia Assembleia Estelar: Histórias de Ficção Científica Política constitui uma recolha de contos sobre o futuro ou as alternativas da política em ambientes de Literatura Fantástica. Organizada por Ma...]]></description>
		
		
		
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