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	<title>Jorge Candeias &#8211; Simetria FC&amp;F</title>
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	<title>Jorge Candeias &#8211; Simetria FC&amp;F</title>
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		<title>A Lâmpada Mágica :: Lido: Brancos Mortos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Candeias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jan 2013 22:15:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<a href="http://lampadamagica.blogspot.com/"><img src="http://fantasticas.odisseias.net/images/lampada_magica.png" alt="A L&#226;mpada M&#225;gica" align="right"></a><br><i>Brancos Mortos</i> (<a href="http://bibliowiki.com.pt/index.php/Brancos_Mortos">bib</a>.), de Bruce Holland Rogers &#233;, &#224; semelhan&#231;a de <a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2013/01/lido-como-o-som-do-vento-nas-arvores.html"><i>Como o Som do Vento nas &#193;rvores</i></a>, mais uma compila&#231;&#227;o de pequenas hist&#243;rias do que propriamente um conto. Aqui s&#227;o 11, as historietas, e t&#234;m pouco ou nada de fant&#225;stico. Trata-se de hist&#243;rias quintessencialmente americanas, de tal forma que n&#227;o foram poucas as vezes em que senti que havia ali alguma refer&#234;ncia cultural que eu n&#227;o estava a apanhar. Muito por isso, n&#227;o gostei por a&#237; al&#233;m desta obra. Terminei a leitura com a sensa&#231;&#227;o de que tinha sido escrita para um leitor americano e <i>s&#243;</i> para um leitor americano, n&#227;o para mim. De que procurava precisamente o contr&#225;rio da universalidade que tantas vezes se encontra na literatura. Ou em qualquer arte, diga-se de passagem. Mas n&#227;o posso dizer que me tenha desagradado. N&#227;o &#233; isso, at&#233; porque basta a habitual compet&#234;ncia de Rogers na elabora&#231;&#227;o dos seus contos para a leitura j&#225; valer a pena. Mas ficou-me a faltar qualquer coisa. E &#233; prov&#225;vel que, de todo o livro, seja este o texto de que menos gostei.<br><br>]]></description>
		
		
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		<title>A Lâmpada Mágica :: Lido: O Castelo de Lorde Valentine</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Candeias]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jan 2013 22:39:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<a href="http://lampadamagica.blogspot.com/"><img src="http://fantasticas.odisseias.net/images/lampada_magica.png" alt="A L&#226;mpada M&#225;gica" align="right"></a><br><div><a href="http://2.bp.blogspot.com/-CFtiaCmpK8M/UQhEzeTY0RI/AAAAAAAAAlI/2Gvc5pRdazk/s1600/castelolordevalentine1.jpg"><img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-CFtiaCmpK8M/UQhEzeTY0RI/AAAAAAAAAlI/2Gvc5pRdazk/s320/castelolordevalentine1.jpg" width="214" alt="castelolordevalentine1.jpg"></a></div>&#160;<i>O Castelo de Lorde Valentine</i> (<a href="http://bibliowiki.com.pt/index.php/O_Castelo_de_Lorde_Valentine">bib</a>.), romance de Robert Silverberg pertencente &#224; s&#233;rie ambientada em Majipoor, &#233; uma fantasia cient&#237;fica que chegou a ser nomeada para um Hugo (perdendo para outra fantasia cient&#237;fica, algo mais fantasiosa e menos cient&#237;fica do que a de Silverberg: <i>A Rainha de Gelo</i>, de Joan D. Vinge). Para quem n&#227;o conhece, Majipoor &#233; um planeta gigantesco cuja popula&#231;&#227;o nativa, os metamorfos, capazes de se transformar em tudo e mais alguma coisa, motivo pelo qual ningu&#233;m morre de amores por eles, est&#225; subjugada e reduzida a reservas (at&#233; certo ponto voluntariamente). Quem domina o planeta &#233; um conjunto de outras esp&#233;cies, oriundas de outros mundos, que l&#225; se instalaram. Com primazia dos humanos, como tantas vezes acontece. Tudo &#233; gerido de forma absolutista pelo Coronal, uma esp&#233;cie de imperador planet&#225;rio que reside numa esp&#233;cie de castelo erguido no cume de uma montanha que reduziria &#224; insignific&#226;ncia o Monte Olimpo, em Marte &#8212; a maior montanha do Sistema Solar. Coronal esse cujo poder &#233; no entanto contrabalan&#231;ado por tr&#234;s outros poderes semidivinos.<br><br>A s&#233;rie, embora isso n&#227;o seja t&#227;o marcado no belo <i>As Cr&#243;nicas de Majipoor</i> como &#233; aqui, utiliza a velha m&#225;xima de que qualquer tecnologia suficientemente avan&#231;ada &#233; indistingu&#237;vel da magia para se servir de uma estrutura, e de v&#225;rias t&#233;cnicas liter&#225;rias, t&#237;picas dos romances de fantasia. O her&#243;i, bastante t&#237;pico enquanto tal, &#233; Valentine, um jovem que come&#231;a o romance amn&#233;sico e perdido num lugar remoto, embora na posse de uma bolsa recheada de ouro. Todo o romance consiste numa jornada do her&#243;i, pois Valentine depressa come&#231;a a descobrir que entre ele e o <i>Lorde</i> Valentine, o Coronal, h&#225; mais la&#231;os do que a mera coincid&#234;ncia do nome. La&#231;os que v&#227;o a pouco e pouco revelando uma conspira&#231;&#227;o pol&#237;tica inaudita nos anais do planeta, e que o levam a atravessar dois continentes, acompanhado por um grupo cada vez mais numeroso de seguidores (estes come&#231;am por ser uma trupe de malabaristas), para desencadear uma revolu&#231;&#227;o.<br><br><a href="http://3.bp.blogspot.com/-Wl6-thwMcAg/UQhEzeAuCMI/AAAAAAAAAlM/S8xAlh7qfoI/s1600/castelolordevalentine2.jpg"><img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-Wl6-thwMcAg/UQhEzeAuCMI/AAAAAAAAAlM/S8xAlh7qfoI/s320/castelolordevalentine2.jpg" width="211" alt="castelolordevalentine2.jpg"></a>N&#227;o tenho bem a certeza se se pode dizer que este livro &#233; <i>sobre </i>o poder e os seus limites. Mas certamente que o poder, a sua variedade, os ressentimentos e &#243;dios que pode gerar, t&#234;m nele papel importante e fazem uma grande contribui&#231;&#227;o para o avan&#231;ar da hist&#243;ria. Tamb&#233;m n&#227;o me parece que se lhe possa chamar um livro pol&#237;tico, apesar da pol&#237;tica estar nele bem presente. Uma pol&#237;tica medieval, para a qual s&#227;o mais importantes as alian&#231;as entre os v&#225;rios membros da aristocracia do que propriamente a capacidade de ganhar o apoio das massas (de forma bastante t&#237;pica da maior parte da fantasia, este &#233; uma consequ&#234;ncia daquelas). Tudo se centra no her&#243;i, na (re?)aprendizagem do her&#243;i, nas rela&#231;&#245;es que o her&#243;i vai estabelecendo, nas fidelidades ou infidelidades que se v&#227;o revelando, nas aventuras a que vai sobrevivendo. Nada de muito aprofundado, apesar da extens&#227;o do romance. Este tem algo de juvenil, e a sua extens&#227;o deve-se mais ao fascinante mundo que Silverberg criou e nos mostra do que propriamente a peculiaridades da organiza&#231;&#227;o social e pol&#237;tica dos seus habitantes ou a um grande desenvolvimento das personagens.<br><br>Para mim, &#233; isso o que aqui &#233; mais interessante: o pr&#243;prio planeta Majipoor, as suas paisagens, as estranhas criaturas que o habitam, inteligentes, n&#227;o inteligentes ou assim-assim. O sentido de maravilha que o mundo provoca. Ou <i>me </i>provoca, pelo menos.<br><br>Mas tamb&#233;m acho que este livro, tal como <i>Duna</i>, embora de uma forma algo diferente, poderia ser uma &#243;tima ponte para que um p&#250;blico que, apesar da recente onda de distopias juvenis, ainda est&#225; a meu ver demasiado preso &#224; fantasia (ou at&#233; a um determinado <i>tipo</i> de fantasia), comece a descobrir a fic&#231;&#227;o cient&#237;fica e a tomar contacto com algumas das suas caracter&#237;sticas. Isto, bem entendido, na condi&#231;&#227;o de ser reeditado como deve ser. Sim, que esta &#233; uma edi&#231;&#227;o da Argonauta na sua fase de decl&#237;nio total. Est&#225; <i>muito</i> longe de ser uma boa edi&#231;&#227;o.<br><br>Por conseguinte, n&#227;o gostei muito dela. Chateia-me quando abro um livro, leio dez p&#225;ginas e ele come&#231;a a desfazer-se. Chateia-me quando leio sistematicamente "viajem" em vez de "viagem". Chateiam-me v&#225;rias outras coisas do g&#233;nero. E, pessoalmente, n&#227;o sou grande f&#227; de her&#243;is e das suas jornadas. Mas h&#225; quem seja, e julgo que, para esses, este &#233; um livro realmente bom. Ou pelo menos poderia s&#234;-lo, se bem editado.<br><br>Este(s) livro(s) foi(ram) comprado(s).<br><br>]]></description>
		
		
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		<title>A L&#226;mpada M&#225;gica :: Lido: The Merchant and the Alchemist&#8217;s Gate</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Candeias]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jan 2013 23:10:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<a href="http://lampadamagica.blogspot.com/"><img src="http://fantasticas.odisseias.net/images/lampada_magica.png" alt="A L&#226;mpada M&#225;gica" align="right"></a><br><i>The Merchant and the Alchemist's Gate</i> &#233; uma bela noveleta de Ted Chiang que, usando a t&#233;cnica das narrativas dentro de narrativas e a ambienta&#231;&#227;o das <i>Mil e Uma Noites</i>, conta uma convoluta hist&#243;ria sobre viagens no tempo, atrav&#233;s de portais, e reflete sobre os conceitos de destino e de livre arb&#237;trio. O tempo que Chiang descreve &#233; um tempo linear, inalter&#225;vel e n&#227;o sujeito a paradoxos. N&#227;o que qualquer tempo linear e inalter&#225;vel esteja imune a paradoxos. Mas no universo que Chiang descreve sim. As viagens, que tanto podem realizar-se para o passado como para o futuro, acontecem numa linha temporal &#250;nica, e a parte mais interessante da hist&#243;ria &#233; o modo como Chiang consegue conjugar isso, que em princ&#237;pio geraria paradoxos do tipo "se eu souber que vou morrer no s&#237;tio tal a tais horas bastar-me-&#225; n&#227;o estar l&#225; a essa hora para alterar o futuro que teoricamente ser&#225; inalter&#225;vel", com a conserva&#231;&#227;o da capacidade de decis&#227;o individual e do inesperado, atrav&#233;s de um conjunto de pequenas &#8212; ou n&#227;o t&#227;o pequenas como isso &#8212; hist&#243;rias entrela&#231;adas, cada uma centrada na sua personagem. O resultado &#233; um perfeito n&#243; &#8212; ou um n&#243; perfeito, o que n&#227;o &#233; bem a mesma coisa &#8212; na cabe&#231;a e nos conceitos do leitor. Uma fic&#231;&#227;o cient&#237;fica de baixa tecnologia, muito filos&#243;fica, e bastante bem escrita. Muito bom.<br><br>]]></description>
		
		
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		<title>A Lâmpada Mágica :: Lido: A Ama</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Candeias]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Jan 2013 17:11:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<a href="http://lampadamagica.blogspot.com/"><img src="http://fantasticas.odisseias.net/images/lampada_magica.png" alt="A L&#226;mpada M&#225;gica" align="right"></a><br><i>A Ama</i> (<a href="http://bibliowiki.com.pt/index.php/A_Ama">bib</a>.) &#233; mais um conto de Steven Bauer que adapta hist&#243;rias alheias, escritas para televis&#227;o. Os autores desta s&#227;o Joshua Brand e John Falsey, e o conto, se nos pud&#233;ssemos abstrair da tradu&#231;&#227;o, at&#233; seria razo&#225;vel. Nada que nunca se tenha visto, mas razo&#225;vel. Os protagonistas (ou, melhor dizendo, os <i>anta</i>gonistas) da hist&#243;ria s&#227;o dois mi&#250;dos de Los Angeles, absolutamente insuport&#225;veis, que t&#234;m o cond&#227;o de correr rapidamente com toda e qualquer ama que a m&#227;e tente contratar. S&#227;o assim uma esp&#233;cie de Calvin ou de Bart Simpson elevado &#224; s&#233;tima pot&#234;ncia. At&#233; que lhes aparece uma que os domina. Como? Quem viu o filme Nanny McPhee j&#225; deve ter percebido. Sim, &#233; m&#225;gica. E responde &#224;s traquinices com traquinices, t&#227;o perigosas que acaba por assust&#225;-los e reduzi-los &#224; complac&#234;ncia. Com outra tradu&#231;&#227;o, n&#227;o seria mau.<br><br>Contos anteriores deste livro:<br><ul><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2013/01/lido-o-comboio-fantasma.html">O Comboio Fantasma</a> </li><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2013/01/lido-atraccao-principal.html">A Atrac&#231;&#227;o Principal</a> </li><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2012/12/lido-o-sr-magia.html">O Sr. Magia</a> </li></ul>]]></description>
		
		
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		<title>A Lâmpada Mágica :: Lido: Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Candeias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Jan 2013 22:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Feeds de sites externos]]></category>
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					<description><![CDATA[<a href="http://lampadamagica.blogspot.com/"><img src="http://fantasticas.odisseias.net/images/lampada_magica.png" alt="A L&#226;mpada M&#225;gica" align="right"></a><br><div><a href="http://2.bp.blogspot.com/-q2Nr-qHhE-0/UQL5J20f6CI/AAAAAAAAAk0/sMow0Iy6AXU/s1600/brasil.jpg"><img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-q2Nr-qHhE-0/UQL5J20f6CI/AAAAAAAAAk0/sMow0Iy6AXU/s320/brasil.jpg" width="210" alt="brasil.jpg"></a></div><i>Brasil </i>(<a href="http://bibliowiki.com.pt/index.php/Brasil">bib</a>.) &#233; um romance de fic&#231;&#227;o cient&#237;fica de Ian McDonald ambientado, como o t&#237;tulo indica, no Brasil. N&#227;o no Brasil do futuro que o r&#243;tulo FC far&#225; supor, ou pelo menos n&#227;o <i>s&#243;</i> no Brasil do futuro, mas em tr&#234;s Brasis diferentes, que no fim acabam por ser muitos mais e nenhum ao mesmo tempo.<br><br>O romance &#233; dividido em oito partes, intituladas "Nossa Senhora" disto ou daquilo, e cada parte divide-se em tr&#234;s tempos, com as suas personagens e ambiente pr&#243;prios. Um presente (em rela&#231;&#227;o ao ano em que McDonald escreveu o livro, entenda-se; j&#225; passaram alguns), centrado numa moderninha carioca, produtora de reality shows, t&#227;o f&#250;til e arrivista como se poder&#225; supor de tal atividade. Um futuro, ambientado numa S&#227;o Paulo ciberpunk de daqui a 20 anos e centrado num malandro de rua repleto de "jeitinho brasileiro", bissexual e trapaceiro, que muda de identidade como quem muda de cuecas. E um terceiro ambientado na &#233;poca do Brasil colonial do in&#237;cio do s&#233;culo XVIII e centrado num jesu&#237;ta irland&#234;s com um gostinho especial pela viol&#234;ncia, que recebe a incumb&#234;ncia de mergulhar profundamente na Amaz&#243;nia para averiguar o que se passa com um padre que ter&#225; enlouquecido, criando a&#237; uma esp&#233;cie de reino, implacavelmente rigoroso, consigo no trono.<br><br>E tudo isto regado a f&#237;sica qu&#226;ntica.<br><br>O livro tem interesse. Dele ressalta, principalmente, a magn&#237;fica qualidade descritiva da prosa de McDonald, capaz de criar ambientes complexos com pinceladas precisas, que com frequ&#234;ncia chegam at&#233; a ser po&#233;ticas. O encadeamento das tr&#234;s hist&#243;rias, a forma como elas se v&#227;o a pouco e pouco fundindo at&#233; &#224; apoteose final, tamb&#233;m est&#225; muito bem feito. Parte das ideias de que se socorre tem, igualmente, grande qualidade e o autor usa-as quase sempre com mestria, introduzindo-as na trama sem grandes infodumps nem oscila&#231;&#245;es de ritmo. McDonald &#233; um bom escritor, provavelmente um dos melhores estilistas que est&#227;o atualmente em atividade na fic&#231;&#227;o cient&#237;fica angl&#243;fona, e isso fica aqui claro, mesmo na nem sempre bem sucedida tradu&#231;&#227;o portuguesa.<br><br>Mas o livro n&#227;o &#233; perfeito. E julgo que devo advertir quem for al&#233;rgico a revela&#231;&#245;es sobre o enredo para pararem de ler aqui, ou para saltarem para o pen&#250;ltimo par&#225;grafo, pois vou ter de fazer algumas.<br><br>Quando as tr&#234;s hist&#243;rias come&#231;am a fundir-se, o leitor depressa compreende que algo de invulgar ali se passa. E come&#231;a a compreender o qu&#234; quando, pouco depois, repara no repetido surgimento de umas peculiares facas qu&#226;nticas, que cortam tudo e mais alguma coisa, deixando atr&#225;s de si uma luminesc&#234;ncia azulada.<br><br>At&#233; aqui, tudo bem.<br><br>A porca torce o proverbial rabo quando descobrimos que estamos num cen&#225;rio de universos paralelos, ainda que com a nuance de n&#227;o serem propriamente universos mas simula&#231;&#245;es num gigantesco computador qu&#226;ntico, algures no long&#237;nquo fim frio do Universo (fazendo lembrar um pouco o cen&#225;rio descrito em <a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2011/11/lido-darwinia.html"><i>Darwinia</i></a>), no meio de uma guerra entre duas fa&#231;&#245;es: a daqueles que pretendem manter as simula&#231;&#245;es isoladas da realidade at&#233; ao fim, e a dos que tentam revelar a verdade aos "sims". O problema &#233; que os porqu&#234;s n&#227;o ficam minimamente claros. N&#227;o sei se por defici&#234;ncia (ou escolha) do autor, se por insufici&#234;ncias da tradu&#231;&#227;o, n&#227;o se percebe que ideias est&#227;o por tr&#225;s das partes em conflito e portanto do conflito. Por que motivos uns acham necess&#225;rio divulgar a informa&#231;&#227;o e outros mant&#234;-la secreta. Pior: como nos &#233; dito que as simula&#231;&#245;es funcionam segundo a l&#243;gica das ramifica&#231;&#245;es infinitas nos universos paralelos, aquela l&#243;gica segundo a qual um ato diferente d&#225; origem a um novo universo, que vai seguir um novo caminho com <i>esse </i>ponto de diverg&#234;ncia relativamente ao "original", a l&#243;gica afirma que qualquer tentativa de interfer&#234;ncia de uns universos noutros s&#243; ir&#225; conseguir criar universos novos, n&#227;o alterar os antigos. Portanto &#233; f&#250;til. Logo a pr&#243;pria guerra &#233; f&#250;til. Logo n&#227;o faz sentido.<br><br>E isto, para mim, estraga a hist&#243;ria.<br><br>E eu, que estava a gostar bastante at&#233; ao &#250;ltimo quarto do livro, mesmo apesar de um certo excesso de exotismo, de um Brasil muito colado a uma vis&#227;o excessivamente folcl&#243;rica &#8212; excessivamente <i>gringa</i> &#8212; do pa&#237;s que n&#227;o corresponde por inteiro &#224; realidade, acabei por achar penosa a leitura do resto. Porque, pura e simplesmente, deixei de <i>acreditar</i> naquilo. A suspens&#227;o da descren&#231;a desfez-se. E &#233; pena. McDonald &#233; capaz de melhor.<br><br>Este livro foi comprado.<br><br>]]></description>
		
		
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		<title>A Lâmpada Mágica :: Lido: Guichê</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Candeias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jan 2013 20:39:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<a href="http://lampadamagica.blogspot.com/"><img src="http://fantasticas.odisseias.net/images/lampada_magica.png" alt="A L&#226;mpada M&#225;gica" align="right"></a><br><i>Guich&#234; </i>&#233; mais um poema de Alexandre O'Neill, embora, contrariamente aos anteriores, seja razoavelmente longo. Trata-se de um texto em que O'Neill destila a sua raiva contra os burocratas, n&#227;o necessariamente funcion&#225;rios p&#250;blicos, mas decerto funcion&#225;rios de alguma coisa, e a tend&#234;ncia que mostram de deixar o utente &#224; espera <i>ad aeternum</i> enquanto p&#245;em a conversa em dia. <i>Quando o burocrata trabalha</i>, come&#231;a ele,<i> &#233; pior do que quando destrabalha</i>. Entre a ironia e o sarcasmo, o poema &#233; t&#227;o acutilante como este in&#237;cio sugere, e tem um fim absolutamente hilariante. Deste sim, gostei bastante.<br><br>Textos anteriores deste livro:<br><ul><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2013/01/lido-pois.html">Pois</a></li><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2013/01/lido-chaval.html">Chaval</a></li><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2013/01/lido-escalfeta.html">Escalfeta</a></li></ul>]]></description>
		
		
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		<title>A Lâmpada Mágica :: Lido: Pois</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Candeias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jan 2013 19:36:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<a href="http://lampadamagica.blogspot.com/"><img src="http://fantasticas.odisseias.net/images/lampada_magica.png" alt="A L&#226;mpada M&#225;gica" align="right"></a><br><i>Pois </i>&#233; outro poema de Alexandre O'Neill, um pouco mais comprido e substancialmente mais brejeiro, sobre a frustrante situa&#231;&#227;o do "respeitoso membro de azevedo e silva" (assim mesmo, sem ter c&#225; coisas mai&#250;sculas) que queria, mas n&#227;o conseguiu, "perpenetrar nas inten&#231;&#245;es de elisa". Mais uma historieta da vida banal que, sim, consegue provocar mais que um leve sorrisinho a quem tenha do humor a mesma conce&#231;&#227;o que eu. Deste gostei.<br><br>Textos anteriores deste livro:<br><ul><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2013/01/lido-chaval.html">Chaval</a></li><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2013/01/lido-escalfeta.html">Escalfeta</a></li><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2013/01/lido-de-cordial-botelha.html">De &#171;A Cordial Botelha&#187;</a></li></ul>]]></description>
		
		
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		<title>A Lâmpada Mágica :: Lido: Chaval</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Candeias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jan 2013 19:13:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<a href="http://lampadamagica.blogspot.com/"><img src="http://fantasticas.odisseias.net/images/lampada_magica.png" alt="A L&#226;mpada M&#225;gica" align="right"></a><br><i>Chaval </i>&#233; outro pequeno poema de Alexandre O'Neill sobre a banalidade quotidiana. Este &#233; sobre um adolescente, ainda borbulhento e inocente. Gostei mais que do anterior, quanto mais n&#227;o seja por causa do uso de terminologia pouco habitual, como "chaval". &#201; sempre com gosto que vejo algu&#233;m a torpedear a mediocridade bem-pensante e melhor falante das "belas letras". Sou assim, um eterno chaval.<br><br>Textos anteriores deste livro:<br><ul><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2013/01/lido-escalfeta.html">Escalfeta</a></li><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2013/01/lido-de-cordial-botelha.html">De &#171;A Cordial Botelha&#187;</a></li><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2012/12/lido-que-vergonha-rapazes.html">Que Vergonha, Rapazes</a></li></ul>]]></description>
		
		
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		<title>A Lâmpada Mágica :: Lido: Escalfeta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Candeias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jan 2013 18:50:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<a href="http://lampadamagica.blogspot.com/"><img src="http://fantasticas.odisseias.net/images/lampada_magica.png" alt="A L&#226;mpada M&#225;gica" align="right"></a><br><i>Escalfeta</i> &#233; um daqueles pequenos poemas de Alexandre O'Neil sobre a pequenez da vida. &#201; ir&#243;nico, claro. Mas n&#227;o gostei muito. Pareceu-me mais pretexto para encher uns quantos versos com rimas em -eta do que propriamente coisa com que o O'Neill quisesse <i>mesmo</i> dizer alguma coisa. N&#227;o &#233; mau, mas n&#227;o gostei muito.<br><br>Textos anteriores deste livro:<br><ul><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2013/01/lido-de-cordial-botelha.html">De &#171;A Cordial Botelha&#187;</a></li><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2012/12/lido-que-vergonha-rapazes.html">Que Vergonha, Rapazes</a></li><li><a href="http://lampadamagica.blogspot.pt/2012/12/lido-o-acto-sexual-e-para-ter-filhos.html">&#171;O Acto Sexual &#233; Para Ter Filhos&#187; &#8212; Disse Ele</a></li></ul>]]></description>
		
		
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		<title>A Lâmpada Mágica :: Quem não percebe a unificação ortográfica levante a mão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Candeias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jan 2013 02:26:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<a href="http://lampadamagica.blogspot.com/"><img src="http://fantasticas.odisseias.net/images/lampada_magica.png" alt="A L&#226;mpada M&#225;gica" align="right"></a><br>Os caturras da velha ortografia t&#234;m assim uns entusiasmos s&#250;bitos com as coisas mais estapaf&#250;rdias. Cansados de derrotas, sempre que lhes aparece &#224; frente um artigo de algu&#233;m a deitar abaixo a nova ortografia enchem o papo de ar e pavoneiam-se por a&#237;, inchados de orgulho, quais pombos em pleno cio. Um dos casos mais recentes foi o de uma tal Maria Regina Rocha, que dedicou algumas horas do seu tempo livre, decerto, a fazer uma esp&#233;cie de estudo em que pega no vocabul&#225;rio da mudan&#231;a dispon&#237;vel no Portal da L&#237;ngua Portuguesa e conta o n&#250;mero de casos em que a nova ortografia "unifica" e "desunifica" a ortografia. Pretende com isso provar que o AO &#233; absurdo porque n&#227;o unifica coisa nenhuma, e bl&#225; bl&#225; bl&#225; e renh&#243;nh&#243;.<br><br>O problema, claro, &#233; que o que ela faz e diz padece de v&#225;rios problemas. Problemas t&#227;o s&#233;rios que, se fossem doen&#231;as, dariam direito a internamento.<br><br>Em primeiro lugar, a senhora conta os casos em que a ortografia &#233; unificada ou n&#227;o o &#233;, mas exclui &#224; partida categorias inteiras de palavras, nas quais s&#243; muda a ortografia brasileira, e que, certamente por pura coincid&#234;ncia (caso contr&#225;rio ter&#237;amos de concluir m&#225;-f&#233; ou desonestidade intelectual, o que seria chato) ficam <b>todas</b>, sem exce&#231;&#227;o, iguais &#224;s portuguesas. Diz que &#233; por serem "residuais". Acontece que o AO altera cerca de 0,5% do l&#233;xico brasileiro (contra 1,5% do portugu&#234;s), e quase todas as altera&#231;&#245;es t&#234;m a ver, precisamente, com essas categorias de palavras. Pelo menos 0,4% do l&#233;xico.<br><br>&#201; um res&#237;duo e peras, h&#227;?<br><br>Em segundo lugar, afirma coisas extraordin&#225;rias como esta: "Em Portugal, altera-se a ortografia fazendo desaparecer as referidas  consoantes e, afinal, no Brasil, essa ortografia de cariz etimol&#243;gico  mant&#233;m-se!" Nem lhe passa pela cabe&#231;a (ou se passa voltamos &#224; tal m&#225;-f&#233; e desonestidade intelectual, o que volta a ser chato) que a tal "ortografia de cariz etimol&#243;gico" s&#243; se mant&#233;m no Brasil quando <b>n&#227;o </b>se limita a ser uma quest&#227;o etimol&#243;gica mas se trata de uma quest&#227;o de pron&#250;ncia. L&#225;, como c&#225;, as consoantes mant&#234;m-se quando s&#227;o pronunciadas. N&#227;o por a etimologia das palavras ser esta ou aquela, mas por a sua <i>pron&#250;ncia</i> ser esta ou aquela. Falar-se aqui de manuten&#231;&#227;o da etimologia &#233;, como soi dizer-se, atirar areia para os olhos dos papalvos.<br><br>Ou distra&#231;&#227;o, v&#225;. Se calhar foi s&#243; distra&#231;&#227;o.<br><br>Mas o mais importante nem &#233; isto. &#201; a confus&#227;o em que os caturras tantas vezes mergulham quanto ao significado da express&#227;o "unifica&#231;&#227;o ortogr&#225;fica". Confundem unifica&#231;&#227;o com uniformiza&#231;&#227;o e dizem disparates sobre o acordo n&#227;o fazer o que diz que faz porque n&#227;o uniformizou a ortografia da l&#237;ngua.<br><br>Acontece que <b>nunca foi esse o objetivo</b>.<br><br>Querem que eu repita?<br><br><b>Nunca. Foi. Esse. O. Objetivo. </b><br><br>O objetivo, conforme expresso em documenta&#231;&#227;o oficial (um anexo ao texto legislativo que cont&#233;m o acordo aquando da sua publica&#231;&#227;o em Di&#225;rio da Rep&#250;blica, mais precisamente), sempre foi, desde o in&#237;cio, e cito, "consagrar uma vers&#227;o de unifica&#231;&#227;o  ortogr&#225;fica que fixe e delimite as diferen&#231;as actualmente existentes e  previna contra a desagrega&#231;&#227;o ortogr&#225;fica da l&#237;ngua portuguesa." Quem saiba ler portugu&#234;s, em qualquer das ortografias em que a l&#237;ngua se possa expressar (e esta &#233; a antiga portuguesa, boa para caturras), facilmente compreender&#225; que o que aqui est&#225; em causa <b>n&#227;o &#233;</b> uma uniformiza&#231;&#227;o ortogr&#225;fica, mas uma unifica&#231;&#227;o no sentido em que passa com o AO a haver <b>um documento &#250;nico</b>, v&#225;lido para todos os pa&#237;ses lus&#243;fonos, a definir a ortografia do portugu&#234;s.<br><br>Um documento &#250;nico, portanto <i>unificado</i>, a substituir os dois at&#233; a&#237; existentes e a possibilidade muito real de passarem a haver mais a curto ou m&#233;dio prazo.<br><br>Isto, &#233; bom diz&#234;-lo, podia ter sido feito deixando tudo como estava. Podia ter-se simplesmente criado um documento &#250;nico que elencasse todas as variantes tal como existiam nas ortografias pr&#233;-AO, e o resultado em termos de unifica&#231;&#227;o ortogr&#225;fica seria o mesmo. Passaria na mesma a haver um &#250;nico documento a definir a ortografia da l&#237;ngua portuguesa, e esta, portanto, ficaria unificada. N&#227;o <i>uniformizada</i>, mas <i>unificada</i>.<br><br>Mas os caturras n&#227;o percebem isto. A mim parece coisa simples de entender, mas eles n&#227;o entendem.<br><br>Mist&#233;rios do racioc&#237;nio caturreiro.<br><br>]]></description>
		
		
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